Arquivo de Abril, 2009

Talking about my generation

Todo mundo sabe que “Não saber o que quer” é o novo “Saber o que quer”.

E aí a gente olha uma possibilidade. Olha outra. Quer tudo, mas no fim não quer nada mesmo.

E aí, quando não querem a gente, é a gente quem quer.

E aí, quando finalmente queremos algo, não conseguimos e nos frustramos.

Todos os meus amigos são assim. E eu também.

Alguns querem dinheiro. E eu penso que a vida deve ser mais do que apenas ter.

Alguns querem amor. E eu penso que é o mais difícil de encontrar.

Sem mais, continuarei vivendo.

(Querendo, mesmo não sabendo.)

Pais&filhos

Primeira versão

Depois de muito tempo sem visitar seus pais, ela chega. Deixa as malas no chão e se demora em um abraço em seu pai. Os dois conversam entusiasmadamente quando ele nota a inscrição em seus pulsos “O que é isso, menina? Tatuagem? Coisa de bandido! Eu não acredito nisso! Você, tão bonita, tão inteligente com essas coisas de vagabundo!” Sem se abalar, ela responde “Mas pai, poderia ser pior. Poderia ser um filho.”

Fim da discussão.

Segunda versão

A situação é a mesma. O pai, a filha e a tatuagem. Ele observa a o rabisco no pulso da menina e começa o discurso. Ela responde “Mas pai, poderia ser pior. Eu poderia ter me afiliado ao PT, PCdoB ou virado sindicalista!”

O pai ri aliviado.


{Obviamente o texto é inspirado no meu pai, um sujeito de direita que jamais na vida usou ou usará barba e para quem a maior decepção seria ver um dos filhos envolvidos com o lado vermelho da politicagem}


RSS Pega eu!

  • Array Setembro 8, 2009
    Olhavam-se fixamente. Tinham esse hábito quando as palavras faltavam, como se silenciosamente pudessem captar no fundo das pupilas o que a alma do outro gostaria de dizer e não diz. Ficaram assim por longos minutos, as faces não mais que pouco centímetros afastadas, os corpos quentes em contraste com a noite fria e o sereno [...]

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